09 agosto 2006

Sra da Graça - Relato Final

Olá

Depois de um adiamento que tornou impossível a minha participação, ao chegar das férias, de um casamento e de um dia no Zoo de Lisboa com os miúdos, tive a notícia que um novo adiamento iria permitir que eu participasse.

Depois do último treino e de uns pneus novos, resolvi ir, e este é o relato. Foi no dia 5/8/2006.

Depois de ter arrumado o jersey e os calções ao lado das luvas e das meias, de ter ido buscar os sapatos de encaixe e o capacete, dediquei alguma atenção à arrumação da mochila. Duas power bars, várias barritas de cereais, a mini bomba, as ferramentas e a câmara de ar de substituição ficaram muito arrumadinhos, à espera da bolsa de água e do isostar que estava no congelador, junto ao outro que já tinha despejado no bidão.
Estava agora tudo OK, depois de ter gasto algum tempo a garantir que a bicicleta estava afinada como deve ser, que não faltava óleo, principalmente nos cubos e de a ter colocado no carro.
Só faltava ir dormir!
O problema é que o calor, os dois miúdos na minha cama a pedir histórias e a ansiedade tornaram o sono um bocadinho mais difícil do que eu estava à espera... Mas uma vez ultrapassado este pequeno "bug" lá adormeci para acordar perto das 5 da manhã.
Um pequeno almoço à base de cereais, como de costume, água para a mochila, isostar's arrumados, equipamento no corpo e toca de ir calmamente até ao ponto de encontro com o C., nas Caldas de S. Jorge, onde esperaria pelo S., também de S. João da Madeira e pelo G. que nos levaria até Raiva na sua carrinha.
Lá chegados resolvemos as últimas questões burocráticas e fomos tomar um café "mesmo ali ao lado".
Má ideia porque a partida foi dada quase de seguida e tivemos que engolir a cafeína à pressa e pedalar com mais vigor do que o esperado para os primeiros metros. Mas tudo estava bem no pelotão de 25 bicicletas, uma ambulância, um carro vassoura [pick up], uma carrinha e um carro de apoio.
Dali de Raiva até Castelo de Paiva é um "tirinho", com uma subida que se faz bem, em trajecto típico de montanha... Primeira paragem para reagrupar e comprar umas peças de fruta. Foi-me difícil, apesar do ritmo não ser muito elevado, "colar" ao grupo principal e acabei por fazer grande parte do caminho um pouco isolado.
Daqui até ao rio, para atravessar a ponte e seguir rumo a Penafiel... A primeira surpresa do dia tive-a nesta descida pois os novíssimos pneus slicks [mesmo slicks] de 1.25 tornaram a minha cabrita um verdadeiro monstro das descidas de alcatrão, sendo eu capaz de ultrapassar muita gente sem sequer dar ao pedal fosse a bicicleta de estrada ou de montanha [a maioria]... houve quem não achasse piada nenhuma e tenha até pedalado furiosamente... coisas da juventude que depois passaram. Acabei por usar muito esta nova característica da minha montada pois nas descidas chegava muito à frente sem esforço, o que me dava alguma folga para aproveitar o esticar do pelotão nas subidas!
Depois da ponte, começou nova subida para Penafiel que viria a cobrar a primeira "factura": uma desistência! Houve segunda paragem, um pouco demorada, devido a um furo de um colega. É bom descansar um bocado mas se os minutos de inactividade se prolongam, os músculos começam a arrefecer. Com a ajuda do carro vassoura o problema foi resolvido rapidamente e lá seguimos todos juntos outra vez.
Sempre a subir para Penafiel, haveríamos de parar ainda uma vez antes de lá chegar, mas desta feita apenas para reagrupar. Logo à chegada a Penafiel, viramos para o Alto da Lixa. Para lá chegar passamos por uma subida que impunha algum respeito e motivou até mais uma paragem, desta feita do agrado de quase toda a gente. Já no Alto da Lixa mais uma paragem, a mais demorada, com visita a um "pão quente" e tudo. Aqui houve um problema dos mais chatos: uma queda de um companheiro, felizmente sem consequências de maior. O mais velho participante ficou com lugar garantido no carro vassoura e uma pintura vermelha num joelho e num cotovelo. Valeu a pena a ambulância...
Depois da descida, apareceu o único "bug" na viagem. Como o carro da organização que liderara até aí a parada se ausentou para ir buscar mais gelo [tínhamos sempre água fresquinha], houve numa rotunda uma indecisão quanto ao trajecto: mais longo mas a subir menos ou mais curto e a subir mais? Com a ajuda dos modernos meios de comunicação móveis lá ficou tudo esclarecido e seguimos viagem. Pela opção mais íngreme.
Daqui até muito perto de Celorico de Basto a subida é aterradora. Um trajecto tipo IP5 ou IP4, com duas subidas muito longas e muito íngremes e apenas um planalto no meio. Não posso precisar, mas serão perto de 9 km's. Aqui, no planalto, 4 companheiros desistiram ao ver a segunda subida. Um outro entrou na ambulância porque já não havia lugar no carro vassoura, dois ou três fizeram parte a pé e eu entrei também na ambulância.
Para grande frustração minha, quando faltavam 1 ou 2 km's tive mesmo que descansar. As subidas sem uma única sombra, o pendente muito elevado e o acumular dos km's acabaram por apresentar a factura e eu tive que pagar!
Chegados à descida voltei a montar para continuar mas para grande surpresa a estrada voltou a subir quase logo. Felizmente consegui ultrapassar este obstáculo e seguir até ao próximo ponto de descanso... Até lá, apenas umas ligeiras caimbras me preocuparam.
Daqui até Mondim de Basto o percurso é uma tortura. Estávamos já perto dos 90 km's e o percurso tipo sobe e desce não ajudava nada. Acabei por comentar com os colegas do lado: Se parar, não volto a montar! E assim aconteceu. O grupo da frente aguardava a nossa chegada em Mondim, onde coloquei a cabrita no carro vassoura [que já tinha ido "despejar" uma carga ao parque] e me sentei! Tinha chegado [quase] à base da rampa da Sra. da Graça. Estava "um bocado" cansado. Tentar a subida final teria sido um estupidez, mas nunca é fácil desistir.
Depois, uma vez no parque, comemos e bebemos, conversamos e descansamos, enquanto 8 dos nossos companheiros pedalavam encosta acima!! Foram os heróis do passeio.
Muita carne grelhada depois, muitas bebidas depois, lá arrumamos as montadas no camião que lá foi ter e lá entramos nos transportes para o regresso, que ainda havia de contar com uma paragem num café...
Cheguei a S. João da Madeira já de noite, depois dos procedimentos finais: descarregar o camião, carregar a carrinha do G., ir para casa do C. nas Caldas e pegar no meu carro e rumar a casa.
Foi o desafio mais difícil que consegui até hoje. Tinha três objectivos e cumpri dois.
1 - Fazer pelo menos metade do percurso;
2 - Chegar a Mondim de Basto;
3 - Subir a rampa da Sra. da Graça.
Falhei este último mas quem sabe... poderá haver nova oportunidade.
Fiquem bem,
Lumitoca

1 Comentários:

Obelisko disse...

Boas!

Como sabes não me foi possível participar nesse desafio mas... da forma como relatas a coisa parece que para o próximo ano vou mesmo experimentar a ver como me saio...

Quato ao resto, espero que depois das MINHAS férias possamos voltar a dar umas voltas juntos.

Um abraço!